Maioria das micros e pequenas empresas ainda não aproveitam o potencial da Internet no Brasil

fonte: Imprensa/CGI.brNovembro 20008
Micros e pequenas empresas ainda não exploram o potencial da Internet. É o que indica um estudo feito pelo Comitê da Internet no Brasil, divulgado pelo Núcleo de Informação e Coordenação do ponto br (NIC.br). O estudo sobre o uso das Tecnologias da Informação e Comunicação (TIC), nas micro e pequenas empresas com até nove funcionários, é referente ao ano de 2007, mas somente agora foram disponibilizados. O objetivo do estudo é identificar as principais diferenças no uso das TICs em relação aos estabelecimentos maiores.
O estudo mostra que 74% das empresas com até nove funcionários não possuem website e 36% não realizaram nenhum tipo de substituição do correio postal por meios eletrônicos. “De maneira geral, os números da TIC Microempresas 2007 mostram que o potencial de desenvolvimento oferecido pela Internet ainda não é devidamente explorado pelas pequenas empresas”, comenta Mariana Balboni, gerente do Centro de Estudos sobre as Tecnologias da Informação e da Comunicação (CETIC.br).
Nas microempresas, 77% dos funcionários em média acessam a web, enquanto nas empresas com 10 funcionários ou mais esse percentual é de apenas 43%. “Essa diferença significativa provavelmente reflete o fato de que nas pequenas empresas um funcionário exerce múltiplas tarefas, e dentre elas, atividades realizadas via internet. Já em empresas de maior porte, há maior diversidade de funções e muitas delas não exigem o uso da rede”, diz Mariana. A pesquisa mostra que 74% das microempresas brasileiras utilizam serviços de governo eletrônico, o que parece ser resultado de um esforço das políticas públicas na implantação da infra-estrutura necessária e no desenvolvimento desta modalidade.
Entretanto, essas iniciativas ainda não se mostram suficientes, pois o contato com órgãos públicos pela Internet ainda é consideravelmente maior em estabelecimentos com mais de 10 funcionários (89%). “Muitas empresas deixam de aproveitar ótimas oportunidades de negócio com seus clientes ou até mesmo com órgãos públicos”, diz Mariana. “Leilões do Governo e outros serviços de Governo Eletrônico, assim como o comércio eletrônico são ótimas opções não somente para o cidadão, mas também para o microempresário, que pode tornar boa parte de seus contatos mais produtivos”, ressalta.
Entre as pequenas empresas que utilizam Internet, o comércio eletrônico é uma ferramenta de grande relevância: empresas com até nove funcionários que já fizeram compras online são 43% do total de entrevistadas e 27% declararam ter recebido pedidos nos últimos 12 meses. Entre as empresas maiores, os percentuais são 64% e 45% para cada uma das modalidades de e-commerce. Porém, apesar de haver um percentual menor de microempresas que fazem compras pela internet, naquelas que o fazem, as compras on-line representam um percentual médio maior do total de compras realizadas (31%) do que nas maiores (24%). “Isso sugere que, se considerarmos as microempresas que fazem compras e que recebem pedidos on-line, os negócios via internet representam um percentual médio maior do total comercializado na comparação com as grandes, mostrando que, especialmente para as empresas de pequeno porte, esse instrumento é poderoso para as transações comerciais”, comenta Mariana.
Nos doze meses que antecederam o estudo, 13% das microempresas declararam ter contratado especialistas em TI (Tecnologia da Informação), porém 18% apontaram dificuldades na seleção desses funcionários. Dentre as maiores, o percentual de contratação foi de 20%. A principal dificuldade apontada foi a falta de estudos e treinamentos específicos em TI, com índice de 84% nas micro e 79% nas maiores. Em seguida, o obstáculo mais citado foi a falta de experiência, apontado em 75% das micro e 69% naquelas de maior porte.
Dados da Relação Anual de Informações Sociais (RAIS) demonstram a importância das microempresas para a economia brasileira, uma vez que representam 73% das empresas formais contabilizadas ou 1,99 milhão de estabelecimentos em um universo de 2,72 milhões. Já as empresas com dez ou mais funcionários geram 83% dos empregos formais. De acordo com Mariana, “a análise comparativa desses dois universos nos ajuda a compreender o estágio de desenvolvimento tecnológico do país, permitindo o aprofundamento na discussão sobre o uso corporativo das TICs no Brasil”, finaliza.





